Desde o princípio do mundo que contar se tornou e é mais natural do que existir. Situar o mundo no mundo, o visível no invisível, o interior no exterior: as raízes. Donde vim, pergunta permanente e inextinguível. Donde nasceu o sangue, como se formaram as paisagens da alma, os sítios percorridos pelo coração.
Contar tornou-se, desde os nossos mais infinitos antepassados, necessário. Assim nos perguntámos e perguntamos, tentando descobrir, na névoa do desconhecido, quem somos e de onde vimos.
Mais natural que existir: porque os que foram antes, os sítios que existem e se impõem, antigos, antes do nosso próprio corpo e dos rios que o correm, só existem contados: historias contadas por outros, para que cheguem a nós.
Tão antigos como os nomes dos astros e as disposições dos países são as nossas histórias do início. O que fazemos, na arte de contar, é procurar o início no hoje, as raízes do presente - entre o que é invisível hoje. Existem perguntas para as quais não temos, nem nunca vamos ter, respostas concretas. Se assim é, porquê esta busca incessante por qualquer tipo de esclarecimento? E aqui está outra pergunta para a qual eu não tenho resposta.
Será que aquilo que nos contam e que nós damos como certo é, de facto, a verdade? Talvez necessitemos apenas de ter a sensação de que sabemos “coisas” e que não somos ignorantes mas no fundo “papamos” tudo o que nos impigem desde o tempo em que éramos pirralhos.
Cada um acredita no que quer mas isto é sempre influenciado pela realidade em que vivemos e pelo mundo que conhecemos. E depois distinguem-se aqueles que têm a capacidade para pensar por si próprios e aqueles que se limitam a guiar a sua efémera vida por coisas (se assim lhe podemos chamar) que não pensaram por si mas que foram infligidas por terceiros. Seja no que for, todos precisamos de acreditar em alguma coisa…GMR
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