terça-feira, 14 de julho de 2009

Paixão…Paaiixão....

O verão chegou para ficar. E como tal, decidi escrever sobre amor e paixão, porque bem vistas as coisas trata-se de um tema quente…a ferver e que combina cordialmente com o verão.
Uma coisa é certa. Do amor ninguém sabe nada. Ou pensa-se que se sabe mas não fazemos mais do que procurar saber quem amamos.
Do amor é bom falar, pelo menos nos intervalos em que não é tão bom amar.
A distinção entre amor e paixão é feita de maneira diferente de cultura para cultura. Na nossa o amor é uma “coisa” mais tranquila, pura e duradoura e a paixão é outra mais maluca e efémera.
É do senso comum que quando nos perdemos de amores por alguém sentimos que nos apaixonamos. E apaixonar-se é ficar amorosamente rendido a outra pessoa.
Acontece que o amor, sempre de mãos dadas com a paixão, não é visto, por alguns, como o caminho para alguma coisa, incluindo para a felicidade. Com sorte, consiste em ir adiando engraçadamente a desgraça e o drama.
O amor é a nossa “doença” de eleição e é altamente contagiosa. São os ciúmes doentios, as cenas doentias, as alegrias e as desilusões, as expectativas e as saudades, é sempre tudo “fantabolásticamente” doentio.
Em cada “fraquinho” que se tenha por alguém, há sempre o desejo incontrolável de paixão e consequentemente, o sonho de um grande amor. Os “fraquinhos” são pistas dadas por quem está absolutamente disposto a amar. Já a atracção exclusivamente física é considerada à parte.
E porque é que nós homens dizemos que as mulheres sexualmente atraentes são “boas”?
Os portugueses acham que as mulheres atraentes são “boas” porque, ao contrário daquelas que amam, são incapazes de lhes causar sofrimento.
O amor é o drama apetecido. Se ele chega atrasado ao encontro é porque já arranjou uma amante. Se a polícia lhe estiver a arrombar a porta e ele disser “Agora tenho mesmo de desligar, meu amor”, é porque quer “despachá-la”. Se ela espirra, ele imagina logo que ela passou a madrugada num jardim ventoso, nos braços de um qualquer. Se ela se veste mal é porque já não quer saber dele e se por acaso se veste bem é porque quer impressionar outro.
Mas adoram!
Numa relação achamos que nós é que amamos e o outro finge amar, só para nos enganar. O amor não convive com a confiança e pensa-se que quem ama, desconfia e quem desconfia é porque não ama.
Quem não está apaixonado passa o tempo em bares e discotecas, sedento de encontrar um grande amor. É nítido na cara das pessoas aquele ar sofredor mal dormido que não é mais do que o resultado físico da ausência ou da presença do amor, das noites em branco, quer pela ausência ou pela presença do dito cujo amor.
Somos infelizes? Talvez….mas de uma coisa tenho a certeza….é óptimo, imprescindível e não a trocávamos por nada…a paixão.

Gonçalo Moreira Rato

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