Olé que tal? Turo bé? Desculpa ter começado desta maneira mas ontem realmente fui à feira do artesanato e eles recebem assim todos os clientes, então ficou me na memória.
Ora bem, venho aqui mostrar-te hoje um pouco de indignação e mágoa em relação à feira do artesanato que, se não sabes, ou és tarolhoco ou és tripeiro, está agora a decorrer na FIL. A feira do artesanato sempre foi, mais que um espaço, um TEMPO para os tugas meterem umas pulseirinhas de pé e uns batuques ao bolso sem o marroquino dar conta. Tive o prazer de ir lá na passada terça feira e revivi momentos de infância, não me perguntes o que, nem como, nem o que revivi, mas por momentos sentia-me criança a olhar para aquele imenso pavilhão cheio de esculturas de madeira de negros mamalhudos. Sim, se há coisa que eu tenho reparado é que os escultores estão cada vez mais obcecados com um belo par de seios. É seios por tudo quanto é lado, nos elefantes, nos Hulas, nos negros, nas negras, enfim, são escolhas. Há quem se preocupe em fabricar e esculpir pencas. É cada figura nariguda que eu chego-me a perguntar se o Pinóquio é do tempo da pedra, mas depois é que me apercebi que eram os "trolls da Noruega". A Feira do Artesanato é sempre uma festa, anda tudo amontoado uns nos outros, cada vez que uma pessoa passa pela barraca dos batuques, um africano começa a tocar djambé, mas quando a pessoa passa por ali e vira costas, o djambé também se cala. E perguntas-me: "Porque é que reviveste momentos de infância?" e eu respondo-te: "Não sei, o cheiro do incenso passou-me". É impressionante como uma pessoa chega ao pavilhão e aquilo tresanda a mandioca, a alcagoita, a nêspera e a xiripiti, que tudo junto se chama incenso. Mostro mágoa perante a feira porque ao que parece, esta senhora, alta, robusta, famosíssima, matadora e fatal chamada Crise bateu coro desta vez á feira do artesanato. É verdade ela chama-se Crise. Crise dos Santos Que Não Ajudam a Superá-la. Esta senhora fez-se á feira e a feira deixou-se ir, começaram-se a interessar um pelo outro, combinaram cafés, a feira estava encantada até que um dia, sem a feira saber, a puta da Crise levou-lhe tudo. As jóias, as belas pulseiras de pé, os broches africanos, os tapetes indianos, as chichas marroquinas, levou mais de metade dos mamalhudos que havia no ano passado. Safada da Crise.
A única boa recordação que trago da passada terça-feira, é aquele cheiro, aquela intensidade de cheiro da bela... sande de paio do pavilhão 3. GC
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