Às vezes devia haver um dia em que todas as pessoas do mundo se rissem até lhe caírem as lágrimas. Penso que é isto que o mundo precisa neste momento de crise. Neste momento, já não sei se é a nossa economia que está em crise, se é a nossa estrutura psicológica.
A crise aluiu-nos de uma maneira que já não há quem consiga aguentar tal assunto. “Olá senhor André, era aquele cafezinho curto se faz favor”. “Com certeza senhor engenheiro, então esta crise han?”. “Era para a estação de Santa Apolónia se faz favor”. “ É para já cavalheiro” (…depois de uma buzinadela e de uma desavença com outro condutor) “Este país está uma coisa. A crise realmente afecta a todos”. Já não há ouvido que tolere. Acho que para além de todas as medidas que estão a ser postas em prática para a resolução da crise, deveria haver qualquer coisa mais. Uma gargalhada? Quando nos rimos tudo de nós sai cá para fora. A nossa própria gargalhada caracteriza-nos. Rir é das melhores coisas que há na vida. Uma boa gargalhada pode ser a solução para um dia terrível de um sem-abrigo. Uma gargalhada pode levar à felicidade de um idoso que nunca mais viu a luz do sol. Uma gargalhada pode apaziguar amizades e harmonizar controvérsias. Já imaginaram o eco que entoava no mundo se todas as pessoas do mundo se rissem ao mesmo tempo numa determinada hora, num determinado minuto? Era um fenómeno. O mundo ganhava cor, voz e sentido. Eu pergunto-me muitas vezes para onde vamos com as posturas que adoptamos?
Para onde nos leva esta escassez?
É assustador pensar nas repercussões que este período de recessão pode vir a ter na vida das pessoas.
Crise é mudança. Hoje é preciso mudar? É. Tanta coisa que não imaginas. Uma delas pode ser começar o dia a sorrir…
domingo, 8 de novembro de 2009
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